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domingo, 30 de junho de 2013

Navengando pelo mundo eu vou....


Ginga Brasil Estonia

Agora que chegou o verão fazemos um breve balanço do primeiro semestre de 2013. O primeiro semestre foi premiado com muitas viagens e bons eventos na capoeira. 
Realizamos um conjunto de tarefas importantes no nosso trabalho como a presença no I evento de primavera do Ginga Brasil Estónia, participação nos batizados dos Grupos Escola da Capoeiragem Polónia e Batizado infantil do grupo UNICAR Cracóvia. O ano fechou ainda com dois eventos importantes com a realização da quarta edição do Gingando pela cidadania nas cidades de Lisboa e Peniche. 
 
Mestrando Samuca e Professor Chocolate Polonia
Destacamos o crescimento da capoeira no leste da Europa. Cresce cada vez mais o interesse dos europeus pela capoeira, em particular no leste da Europa, e interessante verificar como a língua portuguesa é património de muitos. Temos uma responsabilidade muito grande com esse crescimento e com a relação que a capoeira, fora do Brasil, deve ter com a cultura brasileira e a língua portuguesa. 
 
Professor Adam Unicar Cracovia
Tem também se diversificado o padrão dos praticantes da capoeira com o crescimento e presença massiva de crianças e adolescentes nos batizados o que requer novas metodologias. A capoeira fora do Brasil tem as suas especificidades e é ainda premente a tarefa de traduzir e compreender o que ela significa, muito embora grande parte dessa aproximação cultura já tenha sido feita.
Terminamos também esse semestre a edição do documentário etnográfico Mandinga for Export e esperamos exibi-lo nos eventos e quem sabe em festivais da especialidade.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Brasil em pauta – goldsmiths, university of London - Cinema e Capoeira


Promovido pela Goldsmiths University of London e organizado pela brasileira Rosana Martins e Holly Eva Ryan, o
Brazil International Conference, com o tema Panorama Brasil em Movimento, consistiu de um dia inteiramente dedicado a debates em torno do que pode se chamar identidade, ou identidades, brasileira, e teve alguns dos seus momentos registrados em vídeo pelo Canal Londres. Os temas debatidos passaram por várias manisfestações do que representa o país do ponto de vista político, artístico, econômico e cultural. Entre os palestrantes, a própria Rosana, que é PHD pela Universidade Nova de Lisboa e cuja palestra abordou o tema da comunicação no universo do Hip Hop; Ricardo Nascimento, Mestre em Sociologia pela Universidade do Minho, Portugal, doutorando em Antropologia, que falou sobre a globalização da capoeira, através da discussão de 3 filmes sobre o tema; Jorge Goia, PHD em Psicologia Social e Pesquisador do Instituto de Estudos de Soma, que falou da sua experiência de ensino da capoeira na Palestina. No vídeo, vocie também terá a
oportunidade de conhecer as fotos do Projeto Lisboa Negro Amor - Tambor Bahiano, da fotógrafa Ana Rojas, que aborda o intercâmbio entre duas comunidades, uma em Salvador e a outra da Cova do Moura, Lisboa. As boas vindas ficaram por conta do professor John Hutnyk. Diretor do Centre for Cultural Studies, da Goldsmiths, University of London. Foi um dia longo e proveitoso e o Canal Londres tem o maior prazer de mostrar este vídeo de conteúdo rico, que reflete a projeção que o Brasil tem tido no cenário internacional e o profundo interesse que a nossa cultura, acompanhando o crescimento do peso econômico do país, desperta mundo afora. -



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Roda da Vadiação. Jagiellonian University, Institute of Sociology in Krakow Janeiro 2013

Salve amigos

No passado dia 19 de Abril organizamos na Universidade Jagiellonia de Cracóvia, na Polónia a I roda da vadiação. A roda foi organizada no fim do curso Performing culture and hybridity in capoeira organizada pelo Instituto de Sociologia da referida universidade. Na  organização da roda contamos com a presenças do Grupo UNICAR com a estagiária Fuguetinho, Formado Banana, Bacana e Sorriso. Do grupo Escola da Capoeiragem compareceu o professor chocolate e os seus alunos. 

A roda da vadiação surgia como uma forma de mostrar aos alunos participantes do curso um pouco do ritual que concerne uma roda de capoeira, mas sobretudo pela necessidade congregar os grupos da cidade num espaço aberto para o jogo lúdico e a vadiação. Esperamos que o curso, bem como a ideia da roda, tenham de alguma forma influenciado os capoeristas de Cracóvia.


Grande abraço

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Maratona de Capoeira 2012

Salve amigos da capoeira !



No passado final de semana de 7,8 e 9 de Dezembro realizamos mais uma maratona de Capoeira em São João da Madeira, Portugal. O evento já vai na sua sétima edição ocorre sempre no segundo semestre no período do inverno. A maratona é um evento concebido pelo núcleo do Grupo Ginga Brasil de São João da Madeira e tem como objetivo reunir os seus integrantes, amigos e convidados para uma confraternização onde se treina, joga e debate capoeira, explorando as suas potencialidades como recurso e instrumento educativo.

Este ano contamos com a participação de alguns convidados que abrilhantaram a nossa festa como o Mestre Vladmir da Holanda e o Contra Mestre Cabeça da Alemanha. As aulas, conversas e treinos que tivemos com eles constituíram momentos de grande riqueza, diversão e amizade. 

Estamos muito felizes pela realização de mais uma Maratona de Capoeira em São João da Madeira. A energia foi boa, bons jogos, muitos amigos novos, alegria e conhecimento. 

O nosso muito obrigado aos amigos:

Mestre Vladimir ( Batuque capoeira Holanda)                              
Mestre Renivaldo Caramuru ( Porto da Barra)
Contra Mestre Fernando Cabeca ( Cadência Capoeira)
Contra Mestre Boy ( Nação capoeira)
Instrutor Nego Boy ( AyÊ)
Instrutor Maguila ( Ayê)
Formado Bola ( Porto da Barra )
Formado Banana ( UNICAR Polónia)
Graduado Tortinho ( Água de Beber )

Ginga Brasil 

Contra Mestre Bola Ginga Brasil
Professor Conde
Instrutor Bruno Formigão
Graduado Ni
Graduado Besouro 
Graduado Frick

A todos alunos e amigos, o nosso muito abraço e carinho

Professor Cangaceiro
Instrutor Nuno


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Inside the market of Cracow




Markets are landscapes that are part of any town in the world. Visiting them is an important task for anyone that wishes to know the meanders of the city. Many markets belong to the imaginary landscapes of my  personal biography: The market of  São Sebastião and the Central market in Fortaleza, Brazil,  the market of  Vandoma and  Bolhão in O Porto in Portugal, and the secondhand  market of Rotterdam on sundays.


This week-end I visited the traditional sunday market in Cracow  and they are, with no doubts,  meeting point of the locals to negotiate all types of possible products. We should not forget that  exchanges that takes place in the market  can be as material as symbolic, also that markets remounts preterit times of the human existence. In the popular market everything can be negotiated. Objects are exposed in the sidewalk of the streets. And in this exposition one combine many different objects, some of antagonistic meaning Forming micro uncommon landscapes. The symbolic meaning of the exchanges, and the strange junction of the objects  called my attention in a cold day of sunday. 


In Kazimierz, Jewish district of the town of Cracow, happens  the most antique markets of the town. Kazimierz district is one of the  most important turist points of the town. In the district one can see part of the Jewish memory of Cracow.



  1.  Weapons and history 

                                                    







2.  Political ideology and religion 




3. Beauty and esthetics of the street





4. Tea for the souls









Ricardo Nascimento

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ginga Brasil capoeira : uma caminhada de vinte anos




É com alegria e regozijo que venho parabenizar o evento de vinte anos do Grupo Ginga Brasil em São Paulo. A data comemorativa recorda a fundação do grupo pelo Mestre Nenê e todo esforço decorrido de anos de dedicação dos seus integrantes pelo crescimento do grupo dentro e fora do Brasil. São duas décadas de existência, de momentos de alegria e tristeza em que nem sempre as coisas correram bem, mas também de uma luta constante em prol da capoeira e de uma ideia de crescimento. Vinte anos é ainda um tempo curto comparado com outras agremiações, que já passaram momentos diferentes que nem sonhamos em  vivenciar. Contudo é um tempo de entrada na maturidade dos seus membros mais antigos e de reconhecimento de um trabalho árduo e rico em histórias para contar.
Como parte do grupo desde a última metade da sua existência e tendo sido  um dos pioneiros a integra-lo fora do Brasil, recordo momentos difíceis de criação e manutenção do grupo, idas e vindas de companheiros, momentos de esmorecimento e desalento, mas também de resistência e vigor em prol de uma ideia para a capoeira da qual acredito com veemência. Ganhamos mais adeptos para as nossas ideias, criamos uma associação, construirmos parcerias duradouras e organizamos um evento que já segue na sua terceira edição, cujo modelo foi exportado para o Brasil: Gingando pela Cidadania.  
Por ocasião desses vinte anos, o grupo organizou em São Paulo um grande encontro, que contou com a presença de importantes Mestres de São Paulo ( Mestre Ananias, Brasilia) e convidados da capoeira carioca ( Mestre Nestor e seu filho Itapuã). O encontro culminou com a formatura de novos gradudos, instrutores e professores, mas principalmente dos dois novos Mestres do grupo, Mestre Eduardo Negão e Mestre Boiadeiro. Em representação dos integrantes do grupo na Europa estiveram presentes o Contra mestre Bola e o Graduado Frick.  Estamos felizes por mais um degrau nessa longa caminhada.


Salve Ginga Brasil, passado, presente e futuro...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Ginga Brasil 20 anos

O grupo Ginga Brasil em São Paulo realiza no mês de Setembro um grande evento e comemora os vinte anos de existência da instituição. A ocasião conta com a presença do seu mestre fundador, Mestre Nêne e convidados especiais como o Mestre Corisco de Pernambuco - de quem o Mestre fundador do grupo foi aluno - mas também o Mestre Nestor capoeira, figura importante do cenário da capoeira e  seu filho Itapuã Beiramar.O grupo Ginga Brasil  ao longo desses anos tornou-se uma grande instituição, da qual muito nos orgulhamos de fazer parte, e  em certa medida ultrapassou em larga margem o trabalho do seu fundador. Aos colegas de trabalho que partem de Portugal ( Contra Mestre Bola, Graduado Frick e aluno Drimo) para o evento desejamos uma boa viajem. 

sábado, 7 de julho de 2012

Orações dos mandingueiros- M. Cobrinha Verde

"Valei-me meu São Silvestre e os anjos 27 pela
sua camisa que veste.
Assim como São Silvestre abrandou os corações
dos três leões, em cima do morro cravado de pé e
mão.Abrandai eles debaixo do meu pé esquecidos,
mais mansos do que a cera branca Se olhos
tragam, não me enxergarão Se boca tragam, não
me falarão Se pagam para mim, não me
alcançarão Se faca tragam para mim, é de se
enrolar como Nossa Senhora enrolou o Arco
Celeste.
Cacete para mim é de ser quebrado,
assim como Nossa Senhora quebrou os
gravetinhos para ferver o leite de seu Bendito
Filho. Arma de fogo para mim apontada é de
correr água pelo cano, sangue pelo gatilho, assim
como Nossa Senhora chorou lágrimas pelo seu
Bendito Filho. Amém."
(Mestre Cobrinha Verde
Apud Santos, M.)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Gingando para cidadania 2012 : um balanço positivo

Eu sei que eu vou um dia, pro outro lado do mar gingando pra cidadania” Instrutor Dendê SP
O evento Gingando para cidadania realizou em Portugal a sua terceira edição na cidade de Lisboa no parque de campismo de Monsanto. Entre os dias 21 a 24 de Junho, o evento comemorou ainda os 20 anos do grupo Ginga Brasil e contou com a presença de quatro convidados do Ginga Brasil São Paulo : Contra mestre Eduardo Negão, professor Cabeça e os instrutores Dendê e Bigode.
Para recordarmos um pouco o histórico desse evento lembramos que a sua primeira e segunda edição ocorreram em São João da madeira no complexo das piscinas municipais da cidade e contaram com o apoio do programa Juventude em Ação da União Europeia. O primeiro encontro partiu de um intercâmbio entre Portugal e Estónia e segundo de intercâmbio entre França, Hungria e Portugal com a produção de um vídeo elaborado pelos jovens participantes. Para além de comemorar os 20 anos do grupo Ginga Brasil ocorreu ainda o lançamento do CD do instrutor Formigão do grupo Ginga Brasil em Lisboa.
Pelas três adições passaram inúmeros convidados como Mestre Paulo Vítor ( Açores) , Mestre Carlão ( Rio de Janeiro – Londres), Mestre Chapão ( Porto), Mestre Caramuru ( Porto), contra mestre Cebeça ( Alemanha), Professor Tocha  ( Hungria ), Professor Juninho (França), Professor Leão (Andorra), Instrutor Peti ( França), Instrutor Foca ( Alemanha).  Na terceira edição contamos novamente com a presença do Professor Tocha e tivemos a ilustre presença do Contra Mestre Sazuki da República Checa juntamente com alguns dos seus alunos.
Mas que um simples evento o Gingando para cidadania é um conceito que norteia a atuação do grupo Ginga Brasil na Europa, uma forma de estar, agir e pensar a capoeira. Para além das aulas e rodas, as palestras, as aulas de percussão, debates, noite do cantador e a interação constante entre os participantes tornam o evento bem especial.
Na terceira edição destacamos a vinda dos membros do grupo do Brasil e a boa energia deixada por eles nas aulas e rodas.

Salve capoeira

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Gingando para Cidadania 2012



É com o maio prazer que anunciamos a o eventoGingando para Cidadania.Este ano o Gingando para Cidadania será especial pois coincide com os 20 anos de fundação da Ginga Brasil Capoeira em Recife, Pernambuco, e os 10 anos de trabalho na Europa realizado pela Contra-Mestre Bola. Todas as atividades serão realizadas entre os dias 21 e 24 de Junho, no Parque de Campismo de Lisboa, com exceção do Batizado e Entrega de Cordas que acontecerá no Centro Cultural de Carnide, no bairro Padre Cruz. 

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Capoeira self defense: o melhor vídeo de capoeira de todos os tempos.




Por volta dos anos oitenta os capoeiristas que migravam para fora do Brasil elaboraram várias estratégias de projeção da nossa arte afro-brasileira. Um dos pontos de viragem e impulsão da capoeira foi certamente o sucesso do filme Only the Strong conhecido no Brasil por Esporte Sangrento. MarK Dacasco protagonizou o filme e suas acrobacias bem como seu gingado foram as primeiras fontes de aprendizagem da capoeira para muitos praticantes em todo mundo.
Circulou pelo facebook um vídeo interessante que exemplifica bem o clima da capoeira nos anos 80 e 90, fora do Brasil e a forma curiosa com os capoeiristas, em sua criatividade, tentavam publicitar a capoeira. Lembramos que neste mesmo período o Jiu Jitsu brasileiro, como foi chamada a arte reinventada pelo clã dos Gracie, também tentava fazer caminho em direção aos Estados Unidos. Lutadores como Bruce Lee, Chuck Norris, Steven Seagal, já circulavam pelas telas do cinema, realizando proezas fantásticas com o corpo, derrotando vilões, perseguindo bandidos, facínoras e criando a imagem do verdadeiro herói, lutador e guerreio destemido. O corpo e as técnicas que dele podiam sair eram as armas mais vigorosas para combater o crime na luta do bem contra o mau.

O vídeo que se encontra acima tem um pouco disso tudo. Faz lembrar as coreografias dos artistas marciais de Hollywood, com um toque de criatividade bem brasileiro, da malandragem, da ginga, da brincadeira, fazendo crer que um simples movimento acrobático poderia de fato decidir uma luta. Não pude deixar de associar também aos filmes dos Trapalhões, grande conjunto de comediantes brasileiros, que reunia Didi, Dedé , Mussun e Zacarias em aventuras como os Saltimbancos onde os atores mostravam a  sua destreza corporal regado de brincadeira e bom humor.  

Entre os vários aspetos que chamam atenção no vídeo destacamos a trilha sonora, com o não menos conhecido som das paradas de sucesso: Zum Zum, Zum, capoeira mata um. Chama também atenção as vestimentas dos lutadores que não aparecem com os tradicionais abadas mas sim com calças de malha e as camisas tipo regata, fazendo sobressair os corpos negros e fortes. São três atores, capoeiristas, sendo dois deles negros e um branco, que faz o papel do agressor mas que acaba sempre por apanhar dos lutadores negros. Na tela acima aparecem por vezes algumas legendas e as imagens são repetidas mais lentamente para o delírio do público.

sábado, 14 de abril de 2012

Vivências da capoeira na primeira pessoa..


  Vivências da capoeira na primeira pessoa… 

Mestre Geleia /Fortaleza
Foi nos anos 80 que comecei a me interessar pela capoeira. Eu estudava no Colégio Marista Cearense e tinha um pequeno grupo de amigos muito sintonizados com as coisas da cultura brasileira e nordestina. Vivíamos o fim de um período áureo do movimento estudantil no Ceará, em que estávamos engajados, e consumíamos muita música popular brasileira e alguma literatura de esquerda disponível. Tentamos a todo custo introduzir a capoeira no Colégio, mas como se tratava de uma escola de bacanas da classe média de Fortaleza, a direção Marista não via com bons olhos um esporte de afro descendentes, coisa de malandro, da rua. 
Contudo, nas reuniões dos grupos estudantis de fim-de-semana que ocorriam no Sindicato dos Têxteis, acontecia uma roda comandava pelo Mestre Geleia e eu detinha me ali por algum tempo, apreciando a arte na qual dedico parte do meu tempo a estudar. 

Uns anos mais tarde ao entrar para o curso de Geografia da Universidade Federal do Ceará, acabei por tornar me aluno do mestre e acompanha-lo nas rodas pela cidade, no DCE, na praça da Gentilândia, na Barra do Ceará, locais importantes da prática da capoeiragem em Fortaleza.
Mestre Chaminé / Holanda
No início dos anos 90 iniciei uma viajem que mudaria a minha vida sobremaneira, influenciado pelo desejo de vaguear e conhecer o ocidente. Nesse tempo a capoeira estava ainda engatinhando na Europa e tive o prazer de privar com alguns capoeiristas que faziam parte do cenário inicial na Holanda, onde me fixei por seis anos. Recordo de ter sido levado por uma amiga a conhecer o mestre Chaminé, que vivia em Utrecht a cidade onde eu também residia. Treinei com ele algumas vezes e no verão chegamos a percorrer as praças da cidade, tocando e jogando para os que passavam. Ele retornou ao Brasil uns anos depois, mas muitos dos que lá estiveram naqueles anos fizeram seu nome e biografia ensinando e jogando capoeira na Europa como; Mestre Samara, Marreta, Grilo, Valu, entre outros. Foi também durante a primeira metade dessa década que participei dos primeiros encontros de capoeira na Alemanha e na Holanda, reunindo praticantes de vários países. A cultura brasileira na Holanda ganhava espaço com a música e a capoeira. Os grupos de capoeira, bem como as bandas e músicos brasileiros estavam chegando, desbravando terreno.  
Wilson texeira, marcelo Godoy, Ricardo Nascimento, Holanda
Foi durante este período que conheci o amigo e músico mineiro Marcelo Godoy, um dos pioneiros da música brasileira na Holanda. Lembro me de vê-lo entrar num bar onde eu trabalhei por algum tempo que ficava dentro do museu de antropologia e folclore de Rotterdam, a segunda maior cidade do país. Neste mesmo período iniciaram as primeiras escolas de samba brasileiras e tocamos juntos em várias ocasiões. Havia na Holanda um ambiente cultural muito propício ao consumo da música e da cultura brasileira em geral.
Convêm lembrar que estamos falando de uma período de ouro do início da capoeira na Europa, mas também de uma época abastada da economia do velho continente. O muro de Berlim tinha caído há pouco tempo, o euro ainda não estava em vigor, a Europa vivia o auge dos governos social-democratas e das políticas sociais abundantes. Havia um glamour no ocidente que vivia enamorado com o exotismo das culturas do sul. 
Tempos bons…

sábado, 17 de março de 2012

Is a New European Union Ad Racist? Controversial Video Campaign Is Pulled





The European Commission was forced to recall a video ad promoting the expansion of the European Union amid allegations that the content was racist.
In the style of a bad Quentin Tarantino knockoff, the video called “Growing Together” depicts three men of different ethnic backgrounds menacing a Caucasian woman. As the heroine walks through an abandoned warehouse, an Asian-looking man appears showing off serious kung fu skills. Soon a second aggressor is seen levitating toward her, wielding a sword and wearing traditional Indian dress. Finally, a bare-chested black man breaks through a door and tumbles toward the woman displaying the Afro-Brazilian martial-arts style of capoeira.
The woman calmly clones 11 copies of herself who surround her would-be assailants. Outnumbered, the three lay down their arms and passively sit cross-legged, accepting their defeat. She then transforms into the 12 stars of the E.U. flag. As the scene fades, a slogan appears: “The more we are, the stronger we are.”

Reaction to the ad, which cost $167,000 to produce, was swift. It was pulled days after its premiere. Raoul Ruparel of independent think tank Open Europe told the Guardian that “a video which shows a white female being threatened by foreign men with weapons” was “in dubious taste and judgment.”
Stefano Sannino, director general of the division that produced the ad, believes its critics did not understand the message. In a statement, he wrote: “The clip featured typical characters for the martial arts genre: kung fu, capoeira and kalaripayattu masters; it started with demonstration of their skills and ended with all characters showing their mutual respect, concluding in a position of peace and harmony.”

The selection of opponents won’t be lost on many. China, India and Brazil represent three of the bloc’s geopolitical competitors. Intentional or not, the ad conveys a message that a serene “Europe” can subdue her foreign foes.
Immigration and race have long been hot-button issues for the E.U., but the ad fiasco comes at a time when feelings are running particularly high. During a televised debate Tuesday, French President Nicolas Sarkozy told voters that France has “too many foreigners” as he unveiled plans to cut the number of immigrants by 80,000 if re-elected.


fonte: time magazine

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Recortes do trabalho de campo com a capoeira na Polônia

Em 2007 cooperei na edição na Polônia, através da Fundação Rodowo, de um pequena publicação resultado de dois encontros de capoeira realizados no ano de 2006 e 2007 por aquela fundação situada na região da Masúria. A publicação levava o nome dado ao segundo encontro, Roda das Nações, contou com pequenos artigos e uma breve descrição dos grupos participantes. Desde aquele período passei a visitar os grupos na Polônia e interessar me em compreender como a capoeira teria chegado por lá  e como os poloneses dela se apropriaram. Retornei várias vezes a Polônia  e ao visitar os grupos senti a necessidade de realizar uma pesquisa mais sistemática, com entrevistas e observações que permitiriam perceber melhor o desenrolar da capoeira naquele recanto do leste europeu.
A capoeira na Polônia inicia por volta de 1994 quando Adam Faba, conhecido na capoeira como professor Sem Memória, retornou de um período de seis meses na Holanda, onde teve algumas classes com Mestre Marreta. Praticante de karatê por dez anos, porém encantado com arte afro-brasileira, resolveu iniciar as primeiras classes de capoeira numa das cidades da região Silésia, no sul da Polônia. Segundo o professor Adam, o pioneiro da capoeira na Polônia, os dois maiores grupos do país, UNICAR liderado por ele e Camangula comandado por um ex aluno seu, contam com mais de mil praticantes cada e podem ser encontrados em todas as regiões do país. Foi entretanto na década de noventa, como em quase toda Europa, que a capoeira abriu caminho na Polônia com um crescimento exponencial de grupos.

Apesar de frequentar com assiduidade as aulas e rodas do professor Adam, foi junto ao instrutor chocolate do grupo capoeiragem que encontrei caminho aberto para participar com maior inserção nas atividades, intervier e interagir com o conjunto dos seus alunos. Durante as férias escolares de inverno, cujas temperaturas chegaram nesse ano a menos vinte graus, o grupo Capoeiragem realizou um pequeno campo de férias intitulado Férias com capoeira, durante uma semana. Nesse período foi possível entrevista-lo, conhecer um pouco da sua história, interagir com os alunos e tomar parte da oficina ministrando aulas e bate papos sobre a história da capoeira.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

The black power of capoeira- Black Belt Magazine 1968. Versão em ingês.

The Black Power of Capoeira

By D. David Dreis
Published in Black Belt magazine in the early 1970s


The nation of Brazil is taking a long, hard look at its checkered past. Some of what it sees is in need of a whitewash, cleaned up and scrubbed so that it makes good reading in history books. Slave uprisings, the likes of which were steeped in bloodshed, are part of its folklore. And Brazil is finally accepting capoeira as the true black power of its nation.

For several years now, Brazil has skirted its heritage with capoeira. It has been overlooked, disregarded and dismissed. Historians battled against bureaucratic red tape to find the clearing, some gaps in history had to be filled in. A few years ago an 81-year-old Portuguese man, an eyewitness to the open gaps in history, told his story; the story was about capoeira.

Vicente Ferreira Pastinha was the man who did the filling. What he talked about at length were the slave uprisings against the cruelty of persecution and the tool of self-defense employed by the slaves, created by the blacks.

Now that Brazil is taking its reluctant look, it is learning about capoeira and wincing at what it has learned. Descriptions aptly outlined by the old man attest to fast-moving arms and legs battling the onslaught of intemperate slave owners, fighting against the huge organization of oppression only to be pressed down in bloody defeat. Capoeira had its most terrifying results in the slave uprisings against the plunderers of human dignity, the landowners who were in operation since the colonization of Brazil by the Portuguese. With each suppression came more and more restrictions until at last, weary and beaten, the insurgent African natives, the slaves, were defeated. As the white populous worked on the ledgers of history, they erased the black marks of capoeira, pretending it never happened. Pastinha remained alive and brought the reality of the past into full focus.

Kept alive in the secrecy of hardened souls, the martial art continued to be taught and learned, and if movements were displayed, they were said to be a harmless native dance. This was the way capoeira survived the torture of time.

Pastinha revealed how the cultural aspects of the art seemed to vanish and how desperate students used the art to break down the statutes that were placed in their way. That they used capoeira for damage and destruction without rhyme or reason is also part of the haggard history. Without the culture and the heritage, much as that taught in the world of the martial arts, there was nothing save destruction and demolition. Again and again, insurgent blacks were put down in one after another bloody encounters. Capoeira’s heritage seemed to vanish for good.

Now, 81 years old and blind, destitute save for the income that has been secured from devoted followers of the art, Pastinha is cared for with the respect of students who look at him with the same dedication that Japanese karate and judo students look toward their sensei. He lives in Salvador, Brazil, and still partakes in the martial art, although the years and the disregard have taken their toll on his prowess.

But as Pastinha has revealed the past, a 68-year-old instructor known only as “Master Bimba” is advancing it to the future with his instruction in the martial art. Since he has been teaching capoeira, many practitioners have passed through his hands and are advancing the art further still.

Five years ago, a group headed by Benjamin Muniz started to make a true and schematic study of the “kata” of capoeira, transferring what Pastinha related into viable and teachable terms. Reluctantly, the nation began to recognize capoeira and accept it for what it was although they have staunchly refused to accept it as a national sport, knowing all too well that capoeira is not a sport at all. Today, it has been “washed down” as a cultural, native dance. In this manner capoeira is, to the Brazilian hierarchy, “acceptable.”

International Prestige

Muniz and his group, the Olodum, are performing demonstrations wherever they can find an audience. Their efforts at folklore festivals have garnered them international prestige, despite the backhanded help given them by national officials.


In 1968, the Olodum represented Brazil at the Third Latin American Folkloric Festival staged in Argentina and took second place after finding themselves winners of three gold medals and one silver. This year, they garnered a first place win at the Latin American Festival held in Peru. So commanding was their performance, supported by musical instruments, which are part of its clean-scrubbed look, that the Brazilian Ministry is paying homage to the art with the inclusion of capoeira demonstrations on its “official” schedule of national demonstrations.

But its homage is to the development of the black man in the martial arts. Although the students today are members of all races, much like many of those studying Oriental martial arts are Caucasians, the Negroes are paid the most homage through their development of capoeira.

Nothing is making the black man walk tall more than his tie in the culture of the martial arts. This heritage has become entrenched in the folklore of the martial arts history. And there’s nary a tinge of the Oriental in its makeup.

How strange it was for the heritage to start in Brazil and seemingly end there, because slaves were traded and deposited all over the world. Quite possibly, had there been instructors in the martial art in the United States, capoeira might have changed the face of history in North America.

This is not a treatise on civil rights; it is a testimony to an austere and legitimate martial art that identifies with all of the traditions of the other martial arts forms. As the Japanese warlords oppressed the Okinawan populace, causing them to seek an effective means of self-defense, so it is with capoeira, developed from the black African who was trained to fight the elements in his homeland but turned to use his training to fight against the tormentors of human dignity in Brazil.

Representatives of Brazil, those who wish to look with pleasure on the history of their nation, would like the demonstrations of the dance to continue and be treated as a dance. Indeed, capoeira, because of its potentially dangerous aspects, must be practiced as a dance, as a “kata,” but there cannot be a “kumite.” The practitioners know the law and are forced to accept it, but they earnestly believe that the art could be a dynamic sport if the reigns of government myopia were removed.

Admittedly, there have been many practitioners of the art who are working out with no punches or kicks pulled. It has resulted in some damaging effects, and even they recognize that the unleashed power of the art must be tempered somewhat for a sport in which the nation could take pride. As Gichin Funakoshi tempered karate and Jigaro Kano tempered judo, the leaders of capoeira, perhaps Master Bimba, are looking for that combination of sport-art.

The emphasis on capoeira is on muscular strength, joint flexibility and rapid movements. All of these are calculated to subdue, and subdue fast, any threat, any battle.

Quick Body Movements

Capoeira makes much of quick body movements as most of the martial arts do. But it places a greater emphasis on the power of the legs, strong weaponry in the employ of trained fighters. A capoeira man may meet a fighter face to face, but in a fraction of a second he can flip to the ground, shooting a strongly placed foot into a vital attacking area. It has been said that the capoeira fighter, trained to put punch-power in his foot, can effectively destroy a man mortally with a well-placed kick!

That it whets the interest of those who see it has been fairly well documented. In Los Angeles to attend a folklore festival, the members of Olodum were besieged with requests from students to demonstrate at local colleges and universities. At every demonstration, there was much interest in bringing the martial art instruction to the United States. Many of those people making the requests were, to no one's surprise, from the black community.

In Sao Paulo, Brazil, Waldemar Dos Santos is the man in charge of making capoeira popular. His is a mission that has seen the face of determination muddied by blockades to his perseverance.

Dos Santos, a short, strong man with scarred hands and forehead, learned his capoeira on the streets. But he is the foremost teacher in this city where study in judo and karate have reached a new high in interest and attendance. At 37, the man is determined to have capoeira become even more important than these other martial arts. “This is Brazilian,” he says with assuredness. “This fighting art is in the blood.”

So pronounced is Dos Santos about capoeira and its nationalistic ties that more than 100 students are studying with him. He learned the martial art in the beaten-earth clearings, which were to become “academies” for capoeira in Rio de Janeiro, Brazil, but having now returned to Sao Paulo, the young man is determined to make the art “official.”

He, too, has suffered from the oppression of red-tape authority. He has titled his “course” a Brazilian folklore movement. His students practice in what was once the parlor of a townhouse, its walls now smeared with dirty palms and feet. After six months of “dance” movements, which in reality is the “kata,” Dos Santos instructs his students into the violent phase of the art. “I admit,” he says, not too proud of the statement, “that Brazilian capoeira is one of the dirtiest, formalized fighting styles known.”

How “dirty” has capoeira been or become? The history books are not clear on this point, either. There are many legends surrounding the martial art and explaining how it was used by Brazilian sailors who picked it up and “adapted it” from the slaves before them. According to some sources who reluctantly admit it, the sailors used capoeira to “fight for keeps,” taping knives and razor blades to their bare feet and hands before entering a fight. Dos Santos shrugs his shoulders on this facet. Perhaps that was how the art was “bastardized” by the Brazilian sailors, but he has enough confidence in “empty hand” and “empty foot” facets of the art to bypass that addition.

Recent Police Records

Recent police records in Rio show what happens when capoeira gets out of hand. Military police tried to arrest a drunken capoeira (the term is used for the fighter as well as the art) nicknamed “Master Satan.” Satan took on a 24-man platoon and fought them to a draw. Seven policemen were hospitalized, two with broken arms and two with split livers. When Satan still stood defiant after a battering by 24 billy clubs, police had to decide whether to shoot him or let him sleep it off. They decided to try the latter.

“The feet are man’s most deadly weapon,” says Paulo Romero, a Rio capoeira practitioner. “The head is the weakest. Capoeira aims at bringing the strongest weapon to the point of weakness.”

Master Bimba has defined the modern sport-art and outlined 72 separate movements that have colorful names, similar to those given in tai chi chuan, such as “Daddy’s Scissors,” “Banana Plant” and “Tail of the Dragon Fish.”

“Before World War II,” Master Bimba says, “capoeira was illegal.”

Police were called wherever it was practiced. Now, at long last, it is being appreciated for the thing of physical beauty that it really is. Speed, agility and multiplication of force is the key.

Master Bimba knows that this definition is in conflict with the view taken by the fighters in the art. “Capoeira is as graceful as a ballet, but it was invented to kill,” he admits. “In a street fight in old Colonial Brazil, capoeira was a fight to the finish. A knife, a razor, a broken bottle made a capoeira the equal of 20 men.”

Pastinha, however, shirks the contempt against the art. Historically, it belongs to Brazil and it should be recognized, in his opinion. “As a Brazilian,” he says, “I am proud of this friendly country. The capoeira meeting his adversary has the possibility by means of lightness and quickness of the art to disarm any opponent, either taking the weapon from him or vanquishing him by throwing the armed adversary to the ground.”

Pastinha is still the prime authority on the art, and he has seen it develop to a point of respectability. Master Bimba is the foremost practitioner and teacher in Brazil, and his students are as enthusiastic over the techniques as students anywhere. There are some who are unhappy that it is locked into the demonstration aspect, colorful though it may be with its musical accompaniment and bright costumes, ofttimes striped trousers that give off a garish and more “carnival” appearance than most. At least the art is being nurtured and someday perhaps, if it continues to live and gain in popularity, capoeira may grow into a full-fledged martial art and a national endeavor.

Right now, one university accepts it as part of its curriculum within its folklore program. Moving it over to physical education may be a tricky accomplishment, but until that day does arrive, the followers of the art will continue to demonstrate it, allowing people to forget it is really an example of black power.

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