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domingo, 4 de setembro de 2011

Projeto de pesquisa: As raizes angolanas da capoeira

Salve amigos(as) capoeiristas

 O projeto que agora apresentamos é um trabalho de pesquisa que está sendo desenvolvido pelo Historiador da Universidade de Essex, Matthias Assunção. Cabe lembrar que o renomado pesquisador é autor do Livro: Capoeira the history of an afro-brazilian martial art, uma das obras mais importantes sobre a história da capoeira. 

O projeto de pesquisa que tem a duração de três anos teve início em 2010 e consta de uma séria de trabalhos de campo a realizar no sudoeste de Angola. Faz parte da equipe um conjunto de profissionais do meio académico em que se inclui uma etnomusicóloga, uma cineasta e o Mestre Cobra Mansa.

Os objetivos embora pareçam pertinentes como podem ver abaixo, são um pouco ambíguos e imprecisos, dando mesmo a entender que pretende-se achar as verdadeiras "raízes da capoeira" que segundo sugere a pesquisa encontra-se em Angola. A parte da estranheza que possa causar, penso que seria interessante para a comunidade académica que estuda o tema e para a comunidade capoeirística sobretudo, saber que resultados foram obtidos até o presente momento e o que deles se pode dizer. Sabemos que parte dos resultados foram divulgados por Matthias Assunção no evento " Movement for change" organizado pelo mestre Carlão em Londres em julho desse ano. 

 

Objetivo

O projeto, apoiado pelo AHRC britânico, explora os vínculos entre a capoeira, arte marcial afro-brasileira, e tradições angolanas ainda praticadas hoje, para avaliar o grau de continuidades, empréstimos, mas também rupturas, mudanças e re-invenções que levaram á formação da capoeira no Brasil. Procura entender o processo através do qual tradições africanas de combate foram combinadas no Brasil, desenvolvendo uma arte nova e original. O projeto pesquisa várias tradições em Angola, região sempre identificada com as raízes da capoeira. A primeira fase já documentou vários jogos de combate angolanos, que usam golpes de pés e de mãos, paus e outras armas, recursos também presentes na capoeira do tempo da escravidão. Além disso, iniciou o estudo da música, dos cantos, das danças e dos rituais que acompanham esses jogos em vários povoados e diferentes grupos étnicos de pastores do sudoeste angolano.

Pessoas

O trabalho é realizado por um grupo de pesquisa interdisciplinar. Participam da pesquisa de campo o historiador Dr Matthias Röhrig Assunção, especialista da história da capoeira, professor da Universidade de Essex  (Inglaterra) e investigador principal do projeto; o mestre de Capoeira Angola Cobra Mansa, da Fundação Internacional de Capoeira Angola (FICA) com núcleos de capoeira no Brasil, Estados Unidos, Europa e Moçambique; a etnomusicóloga Christine Dettmann, com doutorado sobre músicos brasileiros radiados em Lisboa, e o cineasta namibiano Richard Pakleppa, que já realizou vários documentários em Angola. O trabalho etnográfico será complementado por pesquisa em arquivos angolanos e portugueses, liderado pela Dra Mariana Candido (Universidade de Princeton, Estados Unidos).

Publicações

Um dos resultados mais imediatos é um documentário, a ser distribuido em forma de DVD, e possivelmente  transmitido em canais de televisão no Brasil, Angola e Inglaterra, além de outros países (por volta de dezembro de 2011). O documentário será complementado por artigos em revistas acadêmicas e publicações de grande circulação. Além disso, o projeto procura estabelecer parcerias com instituições angolanas e brasileiras na área de educação e cultura, para que os resultados do projeto tenham maior impacto social e sejam acessiveis ao grande público e a futuros pesquisadores.

Mais informações juntoa  página: http://www.essex.ac.uk/history/research/angolan_roots/translation.aspx

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fabricando uma estética da Capoeira : uma visão do documentário Fly Away Beetle

Verificamos que tem havido, nos últimos anos, uma produção crescente de documentários e filmes sobre a capoeira. Contudo, essa produção desde sempre existiu, embora circunscrita ao âmbito nacional e quase sempre envolta a outras temáticas da cultura afro-brasileira. Não era de espantar que esse crescimento exponencial se verificasse se tomarmos em conta o processo acelerado de globalização da capoeira e as apropriações diversas que a indústria cultural faz da cultura popular no mundo. Um dos melhores exemplos de difusão da capoeira através dos meios audiovisuais foi o filme Only the Strong, lançado em 1993 e que no Brasil ganhou o nome de Esporte Sangrento. Visto em todo mundo, por milhares de jovens, o filme inspirou uma geração de praticantes que, não tendo acesso ao ensino formal da capoeira, deram início à sua prática através do filme. Mas não é isso que nos interessa de todo no filmes sobre a capoeira, se não a sua capacidade de gerar uma estética performativa que prende-se à invenção de um certo exotismo, de uma etnicidade, de uma tradição e uma certa tropicalidade que se reinventa ao longo dos tempos. O que seria do samba sem a figura eminente de Carmén Miranda, que ajudou a projetar o estilo musical por além-fronteiras e subscrever-lhe a certidão de nascimento como símbolo nacional brasileiro. Na década de trinta a cantora realizou, entre outros, dois filmes importantes, A voz do Carnaval e Banana da Terra, onde canta a celebre canção “O que é que a baiana tem?”, de Dorival Caymi. O mesmo ocorreu com o tango, que reforçou a sua argentinidade com os filmes realizados por Carlos Gardel na primeira metade do século XX. Nos exemplos citados do samba e do tango, observamos que, já em tempos idos, as indústrias cinematográfica e fonográfica andavam de braços dados na fabricação de símbolos e imaginários de uma certa estética da cultura popular que se, por um lado, levava audiências ao cinema, por outro, vendia discos. No que toca a capoeira, as trocas simbólicas tem favorecido, por conveniência, ambas as partes. Em verdade, podemos dizer que, de uma maneira geral, as artes visuais sempre se valeram da capoeira como elemento de exploração artística e estética ao mesmo tempo que fabricavam uma esteticidade para a capoeira. Veja-se os exemplos das pinturas de Carybé e as fotografias de Pierre Verger, tão famosas, hoje, em todo mundo.

Poderíamos aqui trazer um elenco muito vasto de filmes nacionais e internacionais que trataram a capoeira: Barravento, O pagador de Promessas, Dança de Guerra, Cordão de Ouro,, Pastinha: uma vida pela capoeira, Capoeira Iluminada, Mandinga in Manhattan, Besouro, entre outros tantos que escapam a essa lista. Fly Away Beetle surge na sequência desses filmes e, de uma certa forma, como uma extensão de todos, sobretudo os de caráter documental, embora na sua linguagem estética se afaste deles.
O documentário traz o depoimento de alguns mestres respeitados como guardiões, ainda vivos, da capoeira, a exemplo de Boca Rica, Olavo dos Santos e Cobra Mansa. Para além disso, traça o percurso de vida de Roque Batista, jovem que tendo saído dos meios mais desfavorecidos da capital baiana, foi resgatado da marginalidade para tornar-se um professor de capoeira. O enredo não é de todo desconhecido para nós capoeiristas: a capoeira como prática de resgate dos mais desfavorecidos e a capital baiana, abrigo dos principais interlocutores da tradição da capoeira, em verdade a Meca da capoeira para alguns e epicentro da cultura afro-brasileira.
Para além dos renomados mestres e de Roque Batista, destacamos que o filme tem muitos outros personagens secundários que, apesar da sua pouca visibilidade, desempenham um papel importante no discurso que o filme apresenta em suas entre-linhas. Falo dos capoeiristas que, em visualização mais acelerada, deferem golpes num bailado típico da capoeira contemporânea. A exibição dos corpos e dos cenários urbanos da capital baiana ressaltam uma estética da capoeira morena e tropical. Chama a atenção que grandes partes das tomadas são feitas ao ar livre, nas praças, Igrejas e locais públicos onde se joga bola, onde a baiana vende seus produtos e coexiste a capoeira. São essas mesmas cenas que, em Fly Away Beetle, contrastam com os depoimentos dos mestres mais antigos, Boca Rica e Olavo dos Santos, os quais, por meio de suas próprias histórias, nos transportam para uma época de uma capoeira marginal, violenta, perseguida, desvalorizada, repudiada pela sociedade. É através dessa relação que Fly Away Beetle nos apresenta um paradoxo e ,certamente, o que o filme trás de mais importante. A capoeira, prática desenvolvida no Brasil por escravos africanos e seus descendentes diretos – assim como o samba e outras manifestações de matrizes africanas, até pouco tempo relegadas ao status de “coisa de preto” – completou a sua transição entre polos opostos, deixando de ser vista pelas elites como “um dos fatores da nossa inferioridade como povo”, alcançando os meios artísticos e constituindo, hoje, um dos símbolos da nossa identidade nacional. No entanto, a história de Roque Batista aparece no filme para nos lembrar que, apesar da capoeira ter chegado em Hollywood, a população afro-brasileira continua confinada à marginalidade, à pobreza e à miséria, carentes de projetos sóciais ou de uma tábua-de-salvação como o samba, o futebol ou a capoeira, que lhes resgate da exclusão social.
No mais, vale a pena estabelecer uma relação entre Fly Away Beetle e o filme Besouro, lançado no ano passado. Besouro, cuja história se passa na velha Bahia, trás a figura de Mestre Alípio, que tal como os Mestres Olavo, Boca Rica e Cobra Mansa, representam o mestre ancião, guardião das tradições, mestre de Besouro. Recordamos também que Besouro passa grande parte do tempo na mata selvagem, onde entranha-se com os seres da floresta e a sua tropicalidade espiritual. O Besouro de Fly Away Beetle é Roque e a sua mata é a selva urbana de Salvador, recheada de perigos que conduzem o homem a desordem social, ao caos e a entropia. O seu elemento de metamorfose de homem em inseto voador é a capoeira, mágica, negra, mestiça, tropical, ancestral, ritualizada num mundo cada vez mais secularizado.
Apesar da obviedade e da natural desconstrução que se impõe, não posso deixar de enfatizar que em grande parte a capoeira tem de fato estado a serviço da cidadania e do resgate da cultura afro-brasileira. Roque Batista é um entre tantos brasileiros a quem a capoeira deu existência, seja por que tornou-se um dos divulgadores da arte, seja por que o filme inventou-lhe o personagem na vida e em particular no mundo da capoeira.
A conversão do popular em objeto estético é uma magia que o cinema bem sabe fazer, adoçada pelas imagens da não menos mítica capoeira, em tempos pós-modernos. Não espanta que a estreia do filme na Europa fez-se em duas grandes metrópoles pós-coloniais como Lisboa (Universidade de Lisboa) e nos auditórios de Londres, onde as platéias globalizadas consomem o que na periferia mundial se produz. Roque and roll, afinal, são produtos globais.
Ricardo Nascimento
Geógrafo
Mestre em Sociologia da cultura
Doutorando em Antropologia
Professor de capoeira

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Capoeira, qual é a sua, Angola, Regional ou contemporânea?


Certamente o leitor atento as questões da capoeira terá feito a si próprio ou aos outros o tipo de pergunta que compõe o título dessa crónica. A resposta, se bem pensada, poderá ser por vezes dúbia, impõe particularidades existenciais e requer alguma reflexão.
Como sabemos o que convencionou-se chamar de capoeira Angola e Regional formou-se na década de 30 durante o Governo de Getúlio Vargas a partir das figuras eminentes dos Mestres Pastinha e Bimba. Estas fórmulas marcaram uma divisão clara na maneira de ver e praticar a capoeira até por que nasceram em oposição a outra. Se as divergências e as diferenças tendiam a ser mais óbvias no passado, bem menos são no presente se observarmos os processos de hibridação e novas formatações que ocorreram com a capoeira produzida pelos dois mestres.
Alguns autores chamam a atenção que para além de Bimba e Pastinha, destaca-se também a figura de um terceiro mestre no panteão dos importantes fundadores da capoeira que hoje jogamos. Trata-se de Washington Bruno da Silva, o Mestre Canjiquinha. Apesar de nunca ter criado um estilo propriamente, recordamos que o mestre criou dois toques, Samango e Muzenza e foi um importante divulgador da capoeira no sul do Brasil. A relevância do seu trabalho reside sobretudo na capacidade de síntese que realizou com o legado dos mestres Bimba e Pastinha, estabelecendo assim uma terceira posição que é hoje a postura da maioria dos grupos. Para além dos seus shows e excursões para o sul do Brasil o mestre participou de dois filmes importantes na década de sessenta como O pagador de Promessas e Barravento de Glauber Rocha, que ajudaram a popularizar a capoeira.
Destacamos a importância de alguns grupos na produção de uma nova atitude que envolve as duas formas basilares de fazer a capoeira, entre eles certamente o grupo Cordão de Ouro em São Paulo cuja simbiose de diferentes jogos produziu o miudinho. Contudo, arriscaria dizer que foi com o grupo Senzala que estas colagens ganharam maior proeminência e popularidade. O uso corrente do São Bento Grande de Angola e a mesma bateria utilizada na Capoeira Angola, contrasta com o jogo rápido, quase sempre em cima, a utilização de uma distinção hierárquica, as cordas, e uma atitude que em grande parte se aproxima da capoeira Regional. Mas afinal que formato é esse, é Angola ou Regional? A parte da resposta polémica, a verdade é que essa maneira de fazer capoeira, que alguns chamam simplesmente de Capoeira, nem Angola nem Regional, generalizou-se a partir da influência do Grupo Senzala principalmente. As fusões podem ainda se tornar mais complexas quando alguns grupos podem fazer uso da bateria da Capoeira Angola, tocar São Bento Grande de Bimba, numa atitude que de alguma forma mais se aproxima da Regional, contendo algo da Angola, ainda que de maneira discreta.
Na ausência de um termo mais adequada, convencionamos chamar de “capoeira contemporânea” toda prática da capoeira que de alguma maneira não se enquadra nem na Regional, tão pouco na Angola. Mestre Nestor Capoeira, a respeito da capoeira feita pelo grupo Senzala, batizou-a de estilo regional-senzala, nome que nunca chegou a propagar-se nos jargões correntes dos capoeiristas, penso que por força da sua pouca consistência. Embora o termo “capoeira contemporânea” tenha-se generalizado, tão pouco tornou-se consensual, pois alega-se, em argumento válido, que contemporânea pode ser também toda e qualquer capoeira que se pratica em nosso tempo, seja ela qual for. O argumento tem pertinência, mas não resolve o problema de uma nomenclatura clara que nos permita situar as diversas formas de fazer e ver a capoeira hoje. Apesar das respostas estéreis e inconclusivas a esse debate, tenho de admitir que classificar faz parte da liturgia das nossas sociedades e os nossos atores sociais, os capoeiras, também fazem-no, como forma de categorizar a capoeira que praticam ou atribuir autenticidade e legitimidade aos coletivos em que se encontram.
De volta ao termo “capoeira contemporânea”, constatamos que formalmente esse "estilo", se assim o podemos chamar, nunca foi criado ou instituído por nenhum mestre ou grupo, nem tão pouco exista um toque ou uma liturgia do jogo que o singularize. É do meu entendimento, sem grande margens para dúvidas, que em grande parte o Grupo Abada capoeira, quer goste-se ou não, na figura do mestre Camisa, também ele herdeiro de um certo legado do Grupo Senzala, popularizou uma estética que muitos caracterizam como contemporânea. Infelizmente, talvez por força das ferramentas do mercado e da indústria cultural com o qual o grupo Abada soube sempre trabalhar bem, está estética tornou-se uma imposição na qual muitos praticantes embarcaram de forma acrítica. Tudo que estava fora desse formato dominante passou a ser qualificado de coicero, saroba, e outros tantos adjetivos de tom pejorativo. Sabemos entretanto que a "capoeira contemporânea" jogada pelo grupo Abada nada tem de inovador, e nada mais é do que uma estetização uniformizada da capoeira no seu formato corporal e musical com base na capoeira de Bimba e Pastinha.
Se por um lado as práticas habituais da capoeira Angola e Regional foram formalmente instituídas e legalmente sancionadas pelo estado com a abertura das suas academias, "outras capoeiras" podem ser também criadas e inventadas pela pujança da sua vivência, pelo cariz de sua ideologia, pela força da sua estética ou pela forma generalizada da sua prática e é, a meu ver, o que ocorre com a “capoeira contemporânea” que singulariza o grupo Abada capoeira. Nada impede que, após o falecimento do Mestre Camisa - a quem espero que viva por muitos anos – que ele possa ser visto como criador da capoeira contemporânea, muito embora nunca a tenha instituído formalmente. Não podemos subestimar a força dos atores sociais e a sua capacidade de apropriarem-se, inventarem ou recriarem as coisas que os rodeiam.
No que toca a Capoeira Regional sabemos que poucos reivindicam essa ascendência, e os que fazem andam envoltos em polémicas, por não tomarem parte direta dos grupos que descendem dos discípulos de Bimba ou por não estarem ligados ao mestre Bimba por laços familiares e consanguíneos. Apesar da figura imponente do criador da Regional a verdade é que a Regional, no formato estrito concebido pelo mestre, nunca vingou, mesmo entre alguns dos seus mais conhecidos discípulos. Raros são os grupos em que se usa um berimbau e dois pandeiros, as sequencias, os balões e quase tudo que o mestre instituiu.
O mesmo não se passa com a capoeira Angola, cujo crescimento conheceu maior impulso com a sua internacionalização, como quase tudo no Brasil que só ganha visibilidade ao cruzar as fronteiras nacionais. Constata-se que há entre os praticantes da capoeira Angola um senso de pertença mais apurado que os caracteriza, muito embora, não se possa dizer que a capoeira Angola que hoje se pratica seja verdadeiramente unânime nas suas características e mesmo precisas na realização dos rituais tal como Mestre Pastinha os concebeu. Os uniformes são de cores diversas, existem diferenças nos alinhamentos das baterias, nos rituais de compra do jogo, na nomenclatura dos golpes e até o uso de cordas, que não é comum, serve de complemento aos paramentos utilizados em alguns coletivos para diferenciar as graduações. Vendida como a "capoeira mãe", a verdadeira e autêntica, o que é certamente uma boa estratégia de mercado, a capoeira Angola é tão crioula e híbrida quantas as outras, carente de legitimidade e autenticidade que se busca nos discursos de pureza e originalidade.
A verdade é que a diferentes bricolagens e experimentações feitas com a capoeira permitem nos dizer que há muito mais o que nos une, capoeiristas, do que o que nos separa, ainda que muitos prefiram dividir e categorizar. E se dúvidas restarem sobre as classificações de que falamos, resta ainda perguntar: qual é mesmo a capoeira que praticas ?

Ricardo Nascimento
Geógrafo
Mestre em Sociologia da Cultura
Doutorando em Antropologia
Professor de Capoeira

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Gingando para a cidadania: uma proposta de sucesso



Este ano realizamos mais uma etapa do projeto Gingando para cidadania.A ideia tem algumas vertentes importantes:



- Debater as temáticas importantes e atuais da capoeira.
- Reunir os praticantes de difrentes grupos com especial destaque aos mestres que forma a comunidade de praticantes em Portugal.
- Confraternizar de forma ecumênica com os diferentes estilos de capoeira (angola ,Regional ou contemporânea)

Destacamos que esse ano realizamos a I conferência sobre a capoeira no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. A conferência entitulada : As mudanças na capoeira no século XXI contou a presença de Luciano Milani, Kasia Kobolswka, Mestre Carlão e Ricardo Nascimento. Lembramos que foi a primeira conferência do gênero realizada em POrtugal e possivelmente a sgunda da Europa. A primeira foi realizada na Universidade de Essex em 2006 pelo professor Matthias Asssunção.

Ginga Brasil Capoeira
- Mestre Nenê (São Paulo)
- Contra Mestre Negão (São Paulo)
- Contra Mestre Bola (Lisboa)
- Professor Cangaceiro (São João da Madeira)
- Professor Conde (Amadora)
- Instrutor Formigão (Amadora e Peniche)
- Instrutor Foca (Bremen, Alemanha)
- Graduado Nuno (São João da Madeira)
- Frik (Braga)

Dos demais grupos parceiros neste evento:

- Mestre Paulo Victor (Grupo Nova Aliança, Ponta Delgada)
- Mestre Carlão (Kabula Capoeira, Londres)
- Contra-Mestre Cabeça (Cadencia Capoeira, Siegen)
- Professor Tocha (Água de Beber, Budapeste)
- Professor Petit (Centro Cultural Senzala, Lyon)
- Instrutor Goiaba (Água de Beber, Setubal)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Mandinga for export: a malandragem da capoeira como capital simbólico na era global










Mandinga for export: a malandragem da capoeira como capital simbólico na era global
Ricardo nascimento / Doutorando em antropologia FCSH – UNL

Trata-se de uma apresentação a ser realizada na conferência: As mudanças na capoeira no século XXI que irá realizar-se na Universidade de Lisboa.
A mandinga é um atributo mágico - simbólico, materializado através das bolsas de mandinga, possivelmente proveniente dos negros mandingas, antigos habitantes do vale do Niger, no reino do Malí, que por conta do tráfego de escravos no atlântico negro foi transportada para outras partes do mundo. As bolsas de mandinga eram comercializadas pelos escravos para fins de guarnição espiritual, entre outras crenças e logo incorporou-se a capoeira como amuleto de proteção, tendo alterado o seu significado para designar o capoeirista malicioso e astuto, o mandingueiro. Este trabalho tenciona dar conta das diferentes designações da mandinga no campo do sagrado e das suas formas de apropriação pelos praticantes de capoeira. Tenciona ainda verificar como a temática da mandinga na capoeira foi tratada nos filmes e serviu de publicidade para exportar a capoeira, em particular a mandinga, como produto comercial para o mundo e como capital simbólico para os praticantes. Para esta finalidade foram analisados os documentários Mandinga em Manhattan e Mestre Leopoldina: a fina flor da malandragem.

Palavras-chave: mandinga, capital simbólico, capoeira, consumo

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Gingando para Cidadania 2011
Fórum: um manifesto pela mudança através da capoeira
Dia 20 de Julho – ICS, Universidade de Lisboa


Em julho de 2010, a ACGBC – Associação Cultural Ginga Brasil Capoeira realizou o primeiro encontro Gingando para Cidadania. O evento foi apoiado pelo programa Juventude em Acção e teve a forma de um intercâmbio entre jovens de dois países: Portugal e Estónia. A temática da iniciativa justificou-se pela necessidade de utilizar a capoeira como ferramenta de educação não-formal na promoção da cidadania entre os jovens na Europa, conectando e fazendo-os trocar ideias sobre as suas problemáticas quotidianos nos respetivos países. Entretanto, este ano, a organização resolveu dar continuidade ao projecto, resguardando o mesmo título e a filosofia inicial, por acreditar que o encontro desenvolveu o caráter natural de um movimento e que ganhou corpo no seio da capoeira e da sociedade em que nos inserimos.
Faz-se necessário debater a capoeira, examiná-la na sua fase atual, verificar os ganhos e as perdas de uma arte que se mercantilizou muito, mas, sobretudo, resgatar o seu potencial de intervenção social numa sociedade marcada por crises de várias ordens. Urge também dialogar com o conhecimento académico e estabelecer com ele um princípio de troca que é salutar nos dois sentidos.
No momento em que lançamos essa proposta ocorrem noutras partes da Europa movimentos de vanguarda com os quais nos coligamos na promoção de valores. Nos dias 30 de junho e 3 de julho ocorre o encontro “Movement for Change : The Capoeiragem Conference 2011” organizado pela ONG Kabula Arts liderada pelo Mestre Carlão em Londres. O encontro pretende prestar homenagens a dois importantes Mestres João Grande e Gato e servir como uma plataforma de debates sobre a capoeira na Europa. Não era sem propósito que estes movimentos ocorrem em duas cidades emblemáticas do continente europeu, Londres e Lisboa, cidades que possuem uma longa história colonial e pós-colonial com as culturas do atlântico negro, para além de serem metrópoles cosmopolitas que abrangem uma diversidade populacional bastante acentuada.
Assim, convocamos a comunidade de capoeiristas a tomar parte nesta iniciativa e dar seu contributo no debate que urge realizar. O Fórum: um manifesto pela mudança através da capoeira constitui a primeira fase do Gingando para Cidadania 2011 e terá início em Lisboa, no dia 20 de Julho. A segunda fase decorrerá na cidade em São João da Madeira, entre os dias 21 e 24 de Julho, conforme a programação que segue abaixo.

Saudações capoeirísticas
Programação - Dia 20 de Julho
10h – 10:20 Abertura, apresentação do projeto, do Juventude em Acção e dos participantes da mesa
Responsável: Raquel Lobão – Jornalista, Mestre em Comunicação Empresarial, Doutoranda em Ciências da Comunicação
10h20 – 10h50 De mogadouro para o mundo: o jogo da capoeira no cyberspaço
Responsável: Luciano Milani - Professor de capoeira, webdesigner, dinamizador do site portalcapoeira.com
10:50 – 11h 10 Movement for Change : Londres e o paradigma da Roda Global
Responsável: Mestre Carlão – Mestre de capoeira, Master’s degree in Philosophy of Art, Presidente do Kabula Arts London.
11h10 – 11h35 Debate entre os participantes
11h35 – 12:40 Roda / aula

14h30 – 14h50 – Mandinga for export: a malandragem como capital simbólico na era global
Responsável: Ricardo Nascimento - Professor de capoeira, Mestre em sociologia da cultura e Doutorando em Antropologia
14h50 – 15h10 The mobility of culture elements: Capoeira in Poland
Responsável: Kasia Kobolwska - Doutora em Sociologia, Autora do livro "Capoeira in Poland”
15h10- 15h45 – Perguntas do público
15h45- 16h – Coffee Break
16h-17h20 – Mostra do filme Capoeira, Fly away beetle.
17h30 –18h00- Bate Papo com o produtor Márcio Abreu / professor de Capoeira Angola, Bacharel em História com concentração em Patrimônio Cultural e Mestre em Estudos Culturais pela Universidade de Nottingham.
18: Roda de encerramento / sorteio de material de capoeira Bassula
19h – Saída para o jantar
Meios de divulgação: Sites institucionains – ACGBC, ICS e Kabula; 10 cartazes A3 a serem colocados em pontos estratégicos, Portal da Capoeira, Comunidade Virtual ACGBC Portugal
Organização: ACGBC – Associação Cultural Ginga Brasil Capoeira e ICS – Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
Apoio: Juventude em Ação, Kabula Arts London, Portal da Capoeira, ALCC- Associação Lusofonia, Cultura e Cidadania, Bassula

terça-feira, 8 de março de 2011

Revista Gingando para a cidadania

A revista Gingando para a cidadania é o resultado de um trabalho colectivo organizado pelo Grupo Ginga Brasil em Portugal. A revista conta com a  participação de nomes ilustres como Fred Abreu, Pedro Abib e o Mestre Luir Renato.
 Confiram o link:
http://www.megaupload.com/?d=QXFHR5T1

Salve galera

A vai um video da visita a academia do Mestre Rato em Fortaleza um jogo com Mestre Dingo.

sábado, 11 de dezembro de 2010




Nesta sexta os alunos do Ginga Brasil de São João da Madeira realizaram o seu jantar de Natal e domingo (dia 12) realizam na Associação Estamos Juntos um encontro par debatar os projectos futuros do grupo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Das maltas às tribos: percursos e estratégias identitárias dos grupos de capoeira em Portugal

Trata-se de um trabalho realizado no âmbito do Mestrado em Sociologia na Universidade do Minho (2010) em que tenta-se construir um panorama da capoeira em Portugal:

Para obter uma cópia: cangaceiro16@hotmail.com


Sabemos que formalmente a história da capoeira em Portugal começa com Afránio Gouveia Silveira, o mestre Magôo[1].    
Cheguei em Portugal no dia 19 de Setembro de 1987, e logo no mês seguinte (Outubro) já ministrava aulas de capoeira numa sala na rua de Santa Catarina , próximo ao Marquês de Pombal no Porto”(Mestre Magôo, comunicação pessoal  por correio electrónico, 18, Março de 2010).
No ano de 1991 registava-se legalmente no Registo Comercial de Lisboa , a Associação de Capoeira Negro Nagô de Angola, a primeira instituição vocacionada para capoeira em Portugal.
“Inicialmente eu vim para Alemanha mas não era para trabalhar com capoeira .Não deu certo, ai eu vim para Portugal. Eu precisava trabalhar, comecei com a capoeira e procurei nos jornais. Hoje não se vê, mas naquela época capoeira era nome de restaurante. A maioria das pessoas não sabia o que era capoeira assimilava que capoeira era galinheiro.”
O mestre conta que seu primeiro espaço de aulas era uma academia de Kung Fu situada num edifício na rua Santa Catarina no Porto, próximo ao Marquês. Após essa fase inicial seu trabalho se expandiu ao ponto de confessar-nos na entrevista que foram poucos os ginásios no Porto onde ele não deu aulas, sendo que durante alguns anos foi o único a dar aulas.  
“Passei um longo tempo sozinho. Primeiro veio o Aloísio que faleceu em Portugal, depois veio o Elástico, que era contra mestre do Gringo, quem eu ajudei a se fixar numa academia. Em 1995 chegou o Barão, em Ermesinde onde estava o Aloísio e como ele tinha morrido ele ficou com os alunos”.


[1] O mestre Magôo iniciou a sua formação com o Mestre Ivan, em 1975 no estado de Minas Gerais tendo mais tarde mudado para o estado do Rio de Janeiro onde fundou a Associação de que é líder


quarta-feira, 19 de março de 2008

Ginga Brasil em Portugal

O grupo Ginga Brasil em Portugal existe a cerca de 5 anos. Seu mestre e fundador Severino Bezerra da Silva é conhecido na capoeira como mestre Nené. O grupo foi criado na cidade de Recife, na década de 80, tendo como primeira sede a universidade Rural de Pernambuco.

Desenvolvmenos um trabalho em São João da madeira juntamente com o graduado Nuno Companhia.

Amigos da Capoeira sejam bem vindo ao nosso blog...

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