Número total de visualizações de página

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Capoeira self defense: o melhor vídeo de capoeira de todos os tempos.




Por volta dos anos oitenta os capoeiristas que migravam para fora do Brasil elaboraram várias estratégias de projeção da nossa arte afro-brasileira. Um dos pontos de viragem e impulsão da capoeira foi certamente o sucesso do filme Only the Strong conhecido no Brasil por Esporte Sangrento. MarK Dacasco protagonizou o filme e suas acrobacias bem como seu gingado foram as primeiras fontes de aprendizagem da capoeira para muitos praticantes em todo mundo.
Circulou pelo facebook um vídeo interessante que exemplifica bem o clima da capoeira nos anos 80 e 90, fora do Brasil e a forma curiosa com os capoeiristas, em sua criatividade, tentavam publicitar a capoeira. Lembramos que neste mesmo período o Jiu Jitsu brasileiro, como foi chamada a arte reinventada pelo clã dos Gracie, também tentava fazer caminho em direção aos Estados Unidos. Lutadores como Bruce Lee, Chuck Norris, Steven Seagal, já circulavam pelas telas do cinema, realizando proezas fantásticas com o corpo, derrotando vilões, perseguindo bandidos, facínoras e criando a imagem do verdadeiro herói, lutador e guerreio destemido. O corpo e as técnicas que dele podiam sair eram as armas mais vigorosas para combater o crime na luta do bem contra o mau.

O vídeo que se encontra acima tem um pouco disso tudo. Faz lembrar as coreografias dos artistas marciais de Hollywood, com um toque de criatividade bem brasileiro, da malandragem, da ginga, da brincadeira, fazendo crer que um simples movimento acrobático poderia de fato decidir uma luta. Não pude deixar de associar também aos filmes dos Trapalhões, grande conjunto de comediantes brasileiros, que reunia Didi, Dedé , Mussun e Zacarias em aventuras como os Saltimbancos onde os atores mostravam a  sua destreza corporal regado de brincadeira e bom humor.  

Entre os vários aspetos que chamam atenção no vídeo destacamos a trilha sonora, com o não menos conhecido som das paradas de sucesso: Zum Zum, Zum, capoeira mata um. Chama também atenção as vestimentas dos lutadores que não aparecem com os tradicionais abadas mas sim com calças de malha e as camisas tipo regata, fazendo sobressair os corpos negros e fortes. São três atores, capoeiristas, sendo dois deles negros e um branco, que faz o papel do agressor mas que acaba sempre por apanhar dos lutadores negros. Na tela acima aparecem por vezes algumas legendas e as imagens são repetidas mais lentamente para o delírio do público.

sábado, 14 de abril de 2012

Vivências da capoeira na primeira pessoa..


  Vivências da capoeira na primeira pessoa… 

Mestre Geleia /Fortaleza
Foi nos anos 80 que comecei a me interessar pela capoeira. Eu estudava no Colégio Marista Cearense e tinha um pequeno grupo de amigos muito sintonizados com as coisas da cultura brasileira e nordestina. Vivíamos o fim de um período áureo do movimento estudantil no Ceará, em que estávamos engajados, e consumíamos muita música popular brasileira e alguma literatura de esquerda disponível. Tentamos a todo custo introduzir a capoeira no Colégio, mas como se tratava de uma escola de bacanas da classe média de Fortaleza, a direção Marista não via com bons olhos um esporte de afro descendentes, coisa de malandro, da rua. 
Contudo, nas reuniões dos grupos estudantis de fim-de-semana que ocorriam no Sindicato dos Têxteis, acontecia uma roda comandava pelo Mestre Geleia e eu detinha me ali por algum tempo, apreciando a arte na qual dedico parte do meu tempo a estudar. 

Uns anos mais tarde ao entrar para o curso de Geografia da Universidade Federal do Ceará, acabei por tornar me aluno do mestre e acompanha-lo nas rodas pela cidade, no DCE, na praça da Gentilândia, na Barra do Ceará, locais importantes da prática da capoeiragem em Fortaleza.
Mestre Chaminé / Holanda
No início dos anos 90 iniciei uma viajem que mudaria a minha vida sobremaneira, influenciado pelo desejo de vaguear e conhecer o ocidente. Nesse tempo a capoeira estava ainda engatinhando na Europa e tive o prazer de privar com alguns capoeiristas que faziam parte do cenário inicial na Holanda, onde me fixei por seis anos. Recordo de ter sido levado por uma amiga a conhecer o mestre Chaminé, que vivia em Utrecht a cidade onde eu também residia. Treinei com ele algumas vezes e no verão chegamos a percorrer as praças da cidade, tocando e jogando para os que passavam. Ele retornou ao Brasil uns anos depois, mas muitos dos que lá estiveram naqueles anos fizeram seu nome e biografia ensinando e jogando capoeira na Europa como; Mestre Samara, Marreta, Grilo, Valu, entre outros. Foi também durante a primeira metade dessa década que participei dos primeiros encontros de capoeira na Alemanha e na Holanda, reunindo praticantes de vários países. A cultura brasileira na Holanda ganhava espaço com a música e a capoeira. Os grupos de capoeira, bem como as bandas e músicos brasileiros estavam chegando, desbravando terreno.  
Wilson texeira, marcelo Godoy, Ricardo Nascimento, Holanda
Foi durante este período que conheci o amigo e músico mineiro Marcelo Godoy, um dos pioneiros da música brasileira na Holanda. Lembro me de vê-lo entrar num bar onde eu trabalhei por algum tempo que ficava dentro do museu de antropologia e folclore de Rotterdam, a segunda maior cidade do país. Neste mesmo período iniciaram as primeiras escolas de samba brasileiras e tocamos juntos em várias ocasiões. Havia na Holanda um ambiente cultural muito propício ao consumo da música e da cultura brasileira em geral.
Convêm lembrar que estamos falando de uma período de ouro do início da capoeira na Europa, mas também de uma época abastada da economia do velho continente. O muro de Berlim tinha caído há pouco tempo, o euro ainda não estava em vigor, a Europa vivia o auge dos governos social-democratas e das políticas sociais abundantes. Havia um glamour no ocidente que vivia enamorado com o exotismo das culturas do sul. 
Tempos bons…

Mensagens populares