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sábado, 14 de abril de 2012

Vivências da capoeira na primeira pessoa..


  Vivências da capoeira na primeira pessoa… 

Mestre Geleia /Fortaleza
Foi nos anos 80 que comecei a me interessar pela capoeira. Eu estudava no Colégio Marista Cearense e tinha um pequeno grupo de amigos muito sintonizados com as coisas da cultura brasileira e nordestina. Vivíamos o fim de um período áureo do movimento estudantil no Ceará, em que estávamos engajados, e consumíamos muita música popular brasileira e alguma literatura de esquerda disponível. Tentamos a todo custo introduzir a capoeira no Colégio, mas como se tratava de uma escola de bacanas da classe média de Fortaleza, a direção Marista não via com bons olhos um esporte de afro descendentes, coisa de malandro, da rua. 
Contudo, nas reuniões dos grupos estudantis de fim-de-semana que ocorriam no Sindicato dos Têxteis, acontecia uma roda comandava pelo Mestre Geleia e eu detinha me ali por algum tempo, apreciando a arte na qual dedico parte do meu tempo a estudar. 

Uns anos mais tarde ao entrar para o curso de Geografia da Universidade Federal do Ceará, acabei por tornar me aluno do mestre e acompanha-lo nas rodas pela cidade, no DCE, na praça da Gentilândia, na Barra do Ceará, locais importantes da prática da capoeiragem em Fortaleza.
Mestre Chaminé / Holanda
No início dos anos 90 iniciei uma viajem que mudaria a minha vida sobremaneira, influenciado pelo desejo de vaguear e conhecer o ocidente. Nesse tempo a capoeira estava ainda engatinhando na Europa e tive o prazer de privar com alguns capoeiristas que faziam parte do cenário inicial na Holanda, onde me fixei por seis anos. Recordo de ter sido levado por uma amiga a conhecer o mestre Chaminé, que vivia em Utrecht a cidade onde eu também residia. Treinei com ele algumas vezes e no verão chegamos a percorrer as praças da cidade, tocando e jogando para os que passavam. Ele retornou ao Brasil uns anos depois, mas muitos dos que lá estiveram naqueles anos fizeram seu nome e biografia ensinando e jogando capoeira na Europa como; Mestre Samara, Marreta, Grilo, Valu, entre outros. Foi também durante a primeira metade dessa década que participei dos primeiros encontros de capoeira na Alemanha e na Holanda, reunindo praticantes de vários países. A cultura brasileira na Holanda ganhava espaço com a música e a capoeira. Os grupos de capoeira, bem como as bandas e músicos brasileiros estavam chegando, desbravando terreno.  
Wilson texeira, marcelo Godoy, Ricardo Nascimento, Holanda
Foi durante este período que conheci o amigo e músico mineiro Marcelo Godoy, um dos pioneiros da música brasileira na Holanda. Lembro me de vê-lo entrar num bar onde eu trabalhei por algum tempo que ficava dentro do museu de antropologia e folclore de Rotterdam, a segunda maior cidade do país. Neste mesmo período iniciaram as primeiras escolas de samba brasileiras e tocamos juntos em várias ocasiões. Havia na Holanda um ambiente cultural muito propício ao consumo da música e da cultura brasileira em geral.
Convêm lembrar que estamos falando de uma período de ouro do início da capoeira na Europa, mas também de uma época abastada da economia do velho continente. O muro de Berlim tinha caído há pouco tempo, o euro ainda não estava em vigor, a Europa vivia o auge dos governos social-democratas e das políticas sociais abundantes. Havia um glamour no ocidente que vivia enamorado com o exotismo das culturas do sul. 
Tempos bons…

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